sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Baia da Traição- PB: turismo sem acesso é exclusão


Imagem criada por IA 


A Baía da Traição, na Paraíba, é uma cidade agradável, com uma praia de grande beleza natural. No entanto, essa paisagem esconde uma realidade preocupante: a ausência de acessibilidade à praia para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.


Não há rampas, passarelas acessíveis ou qualquer estrutura que garanta o direito básico de acesso ao lazer. Essa omissão já representa violação da Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015).


A situação se torna ainda mais grave quando, ano após ano, o presépio natalino é instalado exatamente sobre a única vaga reservada para pessoas com deficiência na Prainha, mesmo existindo outros espaços próximos e disponíveis. Trata-se de uma prática reiterada que transmite uma mensagem clara: o direito da pessoa com deficiência não é prioridade.


Capacitismo não é tradição cultural nem detalhe administrativo. É exclusão institucionalizada. Uma cidade turística só pode se considerar acolhedora quando garante acesso a todos.


Acessibilidade não é favor.

É dever legal.

Damásio Ferreira 





segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

INCLUSÃO É DIREITO ! RESPEITO É LUTA!

 


 Pessoas com deficiência não pedem favor.Exigem diálogo, igualdade e direitos.

A exclusão não é resultado da deficiência, mas da recusa das instituições em rever práticas, ouvir sujeitos e transformar estruturas. Quando uma rede de ensino escolhe dialogar com servidores com deficiência e com as famílias dos estudantes, ela não está fazendo concessão está cumprindo sua responsabilidade pública.

Inclusão se faz com enfrentamento ao capacitismo institucional, com políticas construídas a partir da escuta e com decisões que garantam dignidade no trabalho e no acesso à educação.

Não é caridade.

Não é discurso.

É luta por direitos.


Damásio Ferreira


sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

O REAJUSTE DE 0,37%É UM ALERTA PARA TODA EDUCAÇÃO



O anúncio de um reajuste de apenas 0,37% no piso salarial do magistério em 2026 não é apenas um número frio. É um alerta vermelho que ecoa em cada sala de aula, em cada escola pública, em cada comunidade que depende da educação como caminho de transformação social.  

Este índice ínfimo revela a contradição entre o discurso de valorização e a prática da desvalorização. A Lei 11.738/2008 foi criada para garantir dignidade e reconhecimento aos professores, mas o reajuste atual mostra que o compromisso com a valorização está sendo abandonado.  

 Professores em alerta, sociedade em risco

- Quando o magistério é desvalorizado, toda a educação sofre.  

- Quando o salário não acompanha a inflação, o professor perde poder de compra e dignidade.  

- Quando o Estado ignora a importância do magistério, compromete o futuro das crianças e jovens.  

O reajuste de 0,37% não é apenas insuficiente: é um sinal de descaso com a profissão que sustenta a democracia e a cidadania.

Este é um chamado à mobilização

Não podemos aceitar que a educação seja tratada como gasto a ser cortado.  

Não podemos aceitar que professores sejam condenados à sobrevivência indigna.  

Não podemos aceitar que a lei seja esvaziada de seu verdadeiro espírito de valorização.  


Este reajuste é um alerta. E todo alerta exige reação.  

Nossa luta é pela valorização real

- Piso salarial que acompanhe a inflação e garanta ganhos reais.  

- Carreira estruturada, com progressão justa e reconhecimento.  

- Condições de trabalho dignas, porque não há educação de qualidade sem respeito ao professor.  


O reajuste de 0,37% em 2026 é um grito de alerta: sem valorização do magistério, não há futuro para a educação.  

Cabe a nós, professores, estudantes, famílias e sociedade, transformar esse alerta em mobilização.  

Porque sem valorização do magistério não há inclusão, não há democracia, não há Brasil justo!


sábado, 27 de dezembro de 2025

INCLUSÃO NA EDUCAÇÃO PÚBLICA:QUANDO A LEI AVANÇA,MAS A ESCOLA CONTINUA PARADA

 



Em 2025, o Brasil voltou a afirmar, em discursos oficiais e documentos normativos, o compromisso com a educação inclusiva. Novas diretrizes foram anunciadas, recursos adicionais foram divulgados e a promessa de uma escola mais acessível voltou a ocupar o centro das falas institucionais. No entanto, para quem vive a escola pública todos os dias, a pergunta permanece: onde está essa inclusão que aparece nos relatórios, mas não se sustenta na prática?


A inclusão que existe no papel

A legislação brasileira é clara. Alunos com deficiência têm direito a:


Estar na escola regular

Receber atendimento educacional especializado

Ter acesso a recursos, adaptações e profissionais de apoio

Aprender com dignidade e equidade

Nada disso é novo. O que muda em 2025 é o reforço do discurso. O problema é que discurso não constrói acessibilidade, não forma professores e não garante aprendizagem.


A realidade que insiste em contrariar a lei

Escrevo não apenas como educador, mas como professor da rede pública que adquiriu uma deficiência ao longo da própria trajetória profissional. Essa vivência revela algo incômodo: o sistema que cobra inclusão do aluno é o mesmo que exclui o professor.


Apesar dos recursos federais específicos para a inclusão de pessoas com deficiência, muitas redes públicas seguem operando com:


Salas de AEE improvisadas ou inexistentes

Profissionais de apoio insuficientes ou sem formação

Professores sobrecarregados, adoecidos e culpabilizados

Alunos “incluídos” apenas para efeito de matrícula

A inclusão, assim, vira um número. E números não aprendem, não sentem e não vivem a escola.


Recursos existem. Compromisso, nem sempre.

Não se trata da falta de legislação ou de financiamento. Trata-se de como esses recursos são aplicados — ou desviados de sua finalidade. Em muitos contextos, o dinheiro da inclusão:


Não chega à escola

Não se transforma em acessibilidade real

Não melhora a prática pedagógica

Não impacta a vida do estudante com deficiência

Enquanto isso, gestores exibem planos, portarias e discursos, e a escola segue tentando “dar conta” do impossível.


Inclusão não é marketing institucional

É preciso dizer com clareza: inclusão não pode ser usada como peça de propaganda. Não é aceitável falar em equidade enquanto alunos seguem sem apoio, professores seguem sem formação e pessoas com deficiência seguem sendo tratadas como problema a ser administrado.


Incluir exige decisão política, fiscalização, transparência e coragem para romper com práticas excludentes historicamente naturalizadas.


Um alerta necessário

Se a inclusão continuar sendo tratada como obrigação burocrática, ela continuará falhando. A escola pública precisa de menos discursos e mais ações concretas. Precisa ouvir quem está na sala de aula. Precisa respeitar quem vive a deficiência.


Inclusão que não transforma a realidade é apenas retórica.

E retórica não garante direito, apenas disfarça a exclusão.




quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Decreto nº 12.773 e a Educação Inclusiva nos Municípios do Interior




O Decreto nº 12.773/2025 representa um avanço importante para a educação inclusiva no Brasil, especialmente para municípios do interior, que historicamente enfrentam desafios como equipes reduzidas, limitações orçamentárias e falta de apoio técnico especializado.


O decreto atualiza a Política Nacional de Educação Especial Inclusiva e reforça o compromisso do Estado brasileiro com o direito à educação em escolas comuns, garantindo apoios pedagógicos adequados para estudantes com deficiência, transtorno do espectro autista (TEA) e altas habilidades/superdotação.


O que muda na prática para os municípios? 


Entre os principais impactos do decreto, destacam-se:


Obrigatoriedade do Plano Educacional Individualizado (PEI), instrumento pedagógico que orienta estratégias, adaptações e apoios conforme as necessidades de cada estudante; Fortalecimento do Atendimento Educacional Especializado (AEE) como apoio complementar à escolarização, sem substituir a sala de aula comum; Ampliação da responsabilidade da educação infantil, incluindo crianças de 0 a 3 anos na política de educação inclusiva; Reconhecimento de parcerias com instituições especializadas, como forma de ampliar o atendimento, desde que a escola regular continue sendo o centro do processo educativo; Valorização da formação continuada dos profissionais da educação, com exigência de qualificação adequada para o trabalho inclusivo. Um decreto possível de ser implementado 


Embora traga novas responsabilidades, o Decreto nº 12.773/2025 não exige grandes investimentos imediatos, mas sim organização, planejamento e compromisso institucional. Municípios do interior podem avançar por meio de diagnósticos locais, normativas próprias, formação em serviço e articulação com as áreas da saúde e da assistência social.


Mais do que uma obrigação legal, o decreto é um convite à superação do capacitismo institucional, reforçando que inclusão não é favor, nem exceção é direito.

Educação inclusiva como política pública permanente 

Ao fortalecer a cooperação entre União, estados e municípios, o decreto contribui para que a educação inclusiva deixe de ser uma ação isolada e passe a ser uma política pública permanente, baseada no respeito à diversidade humana e na garantia de aprendizagem para todos.

A inclusão começa com decisão política, se concretiza com prática pedagógica e se sustenta com formação, acompanhamento e escuta.


 Damásio Ferreira

Educação, Inclusão e Direitos Humanos



segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

MANIFESTO DE REFORMULAÇÃO DO BLOG




Damásio Educação e Inclusão

Este blog nasce de uma convicção simples e inegociável:
não existe inclusão sem conscientização, e não existe conscientização sem educação.

A partir de agora, este espaço assume, de forma explícita e permanente, o compromisso com a inclusão das pessoas com deficiência em todas as áreas da vida social , na escola, no trabalho, na cultura, nas políticas públicas, na comunicação e nas relações humanas.

Aqui, a deficiência não será tratada como falta, limitação ou tragédia individual.
Ela será compreendida como parte da diversidade humana, e a exclusão será nomeada pelo que realmente é: resultado de barreiras sociais, estruturais, atitudinais e educacionais.

 Educação como caminho de transformação

Acreditamos que a educação não é neutra.
Ela pode libertar ou excluir.
Pode conscientizar ou silenciar.
Pode humanizar ou reforçar desigualdades.

Por isso, este blog assume a educação como ferramenta central de conscientização social, capaz de romper com o capacitismo naturalizado, questionar práticas excludentes e formar sujeitos críticos, empáticos e comprometidos com a justiça social.

Falar de inclusão não é um favor.
É um dever ético, pedagógico e legal.

Contra o capacitismo, em todas as suas formas

Este espaço se posiciona de forma clara contra o capacitismo, seja ele:

  • explícito ou velado
  • institucional ou cotidiano
  • presente na escola, nas políticas públicas ou no discurso social

Denunciar o capacitismo é educar.
Educar é um ato político.
E silenciar diante da exclusão é, também, uma forma de violência.

 Uma voz que fala a partir da vivência

Este blog é escrito por quem vive a deficiência, por quem conhece na pele as barreiras impostas por uma sociedade que ainda confunde normalidade com humanidade.

A experiência do AVC, longe de ser apenas um relato pessoal, é aqui compreendida como fonte de reflexão pedagógica, social e política, revelando o quanto a exclusão não está no corpo, mas nas estruturas que se recusam a acolher a diferença.

 Inclusão em todas as áreas da vida

A inclusão que defendemos não se limita à escola, embora ela seja um ponto de partida fundamental.
Falamos de inclusão:

  • na educação
  • no trabalho
  • na comunicação
  • no acesso à informação
  • na participação social
  • no direito de existir com dignidade

Porque não há cidadania plena sem inclusão real.

 Nosso compromisso

Este blog se compromete a:

  • Informar
  • Conscientizar
  • Provocar reflexão
  • Formar educadores e cidadãos
  • Dar visibilidade às vozes historicamente silenciadas

Tudo isso com linguagem acessível, posicionamento firme e profundo respeito à dignidade humana.

 Um convite à mudança

Este não é um espaço de neutralidade.
É um espaço de compromisso.

Se você acredita que a educação pode transformar consciências,
se entende que inclusão não é concessão,
se reconhece que a luta das pessoas com deficiência é uma luta por humanidade,

este blog também é seu.

Damásio Ferreira
Educador | Defensor da Educação Inclusiva
Damásio Educação e Inclusão
Deficiência não é falta. Falta é acessibilidade.


sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

VALORIZAÇÃO É ESSENCIAL MAS SEM APOIO FINANCEIRO CORREMOS O RISCO DE ATRASOS NOS SALÁRIOS




O ano de 2025 trouxe conquistas históricas para a educação brasileira. A aprovação do novo Plano Nacional de Educação (PNE 2025–2035), do piso salarial para técnicos administrativos da educação básica (PL 2531/2021) e de políticas estaduais de inclusão reforçam o compromisso do país com uma escola pública mais justa, moderna e inclusiva.  


Como professor, celebro esses avanços. Eles representam reconhecimento e valorização de profissionais que há muito tempo lutam por melhores condições de trabalho. No entanto, também me preocupa o impacto financeiro que tais medidas geram nas administrações estaduais e municipais  e, principalmente, o risco de atrasos nos salários dos servidores da educação.

- Plano Nacional de Educação (PNE 2025–2035): estabelece metas ambiciosas, como ampliar escolas em tempo integral, garantir internet de alta velocidade em 75% da rede pública e investir na formação docente.  

- PL 2531/2021: cria um piso salarial nacional para técnicos administrativos da educação básica, equivalente a 75% do piso do magistério.  

Essas medidas são fundamentais para corrigir desigualdades históricas e fortalecer a qualidade da educação pública.

Apesar dos benefícios, os custos são elevados:  

- Folha de pagamento maior com o novo piso salarial.  

- Investimentos em infraestrutura e tecnologia para cumprir as metas do PNE.  

- Adaptações arquitetônicas e recursos pedagógicos especializados para garantir inclusão.  

Municípios pequenos, com arrecadação limitada, são os mais vulneráveis. Muitos já operam próximos ao limite da Lei de Responsabilidade Fiscal e podem enfrentar dificuldades para manter os salários em dia.

Prefeitos e governadores precisam equilibrar duas responsabilidades: implementar as conquistas legislativas e preservar a sustentabilidade fiscal. Sem apoio adicional da União, há risco real de que os avanços se transformem em instabilidade, com atrasos nos pagamentos e desmotivação dos profissionais que sustentam a escola diariamente.

Para que a valorização não se torne um fardo insustentável, alguns caminhos são fundamentais:  

1. Apoio financeiro da União, via Fundeb e programas complementares.  

2. Gestão eficiente, capaz de equilibrar valorização profissional e responsabilidade fiscal.  

3. Implementação gradual, permitindo que estados e municípios se adaptem sem sufocar seus orçamentos.  

Valorização é essencial. Mas sem apoio financeiro consistente, corremos o risco de ver atrasos nos salários dos servidores da educação  justamente aqueles que garantem o funcionamento da escola todos os dias. Celebrar as conquistas legislativas é importante, mas precisamos de responsabilidade fiscal e planejamento para que elas se tornem realidade sem prejudicar quem está na linha de frente da educação.  


sábado, 13 de dezembro de 2025

QUANDO FALTA EMPATIA, FALHA A EDUCAÇÃO

    

É chocante  e profundamente triste  ouvir relatos de professores que resistem a elaborar o PEI e ainda defendem que alunos com deficiência deveriam ser colocados em “salas isoladas”. Isso não é apenas falta de preparo. É falta de compromisso. É falta de humanidade.

A inclusão não é um favor.  

É um direito.  

E garantir esse direito é responsabilidade de todos nós que escolhemos a educação como profissão.

Quando um professor se recusa a planejar para todos, ele não está apenas descumprindo uma obrigação legal. Ele está negando dignidade. Ele está reforçando preconceitos. Ele está dizendo, na prática, que algumas vidas valem menos.

A escola é de todos.  

A sala de aula é de todos.  

A aprendizagem é de todos.

Quem não compreende isso não está apenas atrasado está ferindo aquilo que a educação tem de mais essencial: a defesa incondicional da inclusão e da igualdade.

Educar exige empatia.  

Sem ela, não há ensino.  

Sem ela, não há futuro.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

Reajuste do Piso Salarial Nacional dos Professores de? O que é possível e o que pode ser descartado?



A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) divulgou uma estimativa preliminar de reajuste de 0,85% para 2026. Esse número chamou atenção por ser muito baixo, mas é importante entender o contexto:


O que é tecnicamente possível

- Reajuste entre 3% e 5%  

  Essa faixa é coerente com o comportamento recente do VAAF-MIN e com a tendência de estabilização do Fundeb.


 O que é possível, mas pouco provável

- Reajuste de 0,85%  

  Só faria sentido se o VAAF-MIN praticamente não crescesse algo raro, mas que já ocorreu em 2022.


 O que pode ser descartado

- Reajustes acima de 6%  

  Não há base técnica nos dados atuais do Fundeb para sustentar um crescimento tão alto.  

- Reajustes de dois dígitos  

  Totalmente fora da curva atual.

 

Com base nos dados oficiais do Fundeb e na série histórica do VAAF-MIN, o cenário mais provável para o reajuste do piso do magistério em 2026 é:

- Faixa mais provável: entre 3% e 5%  

- Faixa possível, mas improvável: cerca de 0,85%  

- Faixa descartada: reajustes acima de 6%


O valor oficial será divulgado pelo MEC entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, quando os dados consolidados do Fundeb forem publicados.


Fontes oficiais


- Lei 11.738/2008 – Institui o piso salarial profissional nacional do magistério.   

- Portarias Interministeriais MEC/ME (anos anteriores) – Valores oficiais do VAAF-MIN.  

- Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) – Estimativa preliminar de reajuste para 2026.  

- Confederação Nacional de Municípios (CNM) – Análises técnicas sobre o Fundeb.





quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

Capacitismo docente: quando o professor vira a barreira


Vamos ser francos: em muitas escolas, o maior obstáculo para o aluno com deficiência não é a deficiência  é o professor. Não aquele professor comprometido, que estuda, adapta, cria e se reinventa. Falo do professor que ainda acredita que inclusão é “fazer o possível”, quando na verdade está fazendo o mínimo.

O capacitismo docente se esconde atrás de frases como “coitadinho”, “ele não acompanha”, “não tem condições”, “não é para ele”. Parece cuidado, mas é controle. Parece proteção, mas é exclusão. É a velha lógica da normalidade travestida de pedagogia.

Sassaki já explicou que a deficiência não está na pessoa, mas nas barreiras criadas pela sociedade. E, convenhamos, algumas das barreiras mais resistentes estão dentro da sala de aula: infantilização, superproteção, atividades simplificadas ao extremo, avaliações que não avaliam nada, e aquela mania de achar que o aluno com deficiência é responsabilidade do AEE, como se o professor da sala regular estivesse ali apenas para os “normais”.

Vygotsky diria que, quando o professor decide que o aluno não aprende, ele não está descrevendo um fato  está decretando uma sentença. E muitos decretam sentenças diariamente, sem perceber.

A escola continua esperando um aluno padrão, e qualquer um que fuja desse molde vira “problema”. Mantoan já cansou de repetir: inclusão não é encaixar o aluno no sistema, é transformar o sistema. Mas transformar dá trabalho  e é mais fácil culpar o aluno.

No fim, a pergunta que mais dói é também a mais necessária:  

Você  está ensinando para todos ou apenas para quem confirma a sua ideia de normalidade?

Se a resposta incomoda, ótimo. É sinal de que ainda há espaço para mudança.


Baia da Traição- PB: turismo sem acesso é exclusão

Imagem criada por IA  A Baía da Traição , na Paraíba , é uma cidade agradável, com uma praia de grande beleza natural. No entanto, essa pais...