Não é justo, nem eficaz, culpar professores pela prática inconsciente do capacitismo. A maioria das práticas excludentes que se reproduzem na escola não nasce da má-fé, mas da ausência de formação adequada, de políticas públicas consistentes e de condições reais de trabalho. Responsabilizar individualmente o docente é desviar o foco do problema estrutural.
O capacitismo, assim como outras formas de discriminação, é aprendido socialmente e institucionalizado ao longo do tempo. Professores também são formados em um sistema que historicamente excluiu pessoas com deficiência. Exigir práticas inclusivas sem oferecer formação continuada é produzir culpa, adoecimento e frustração ,não inclusão.
Por isso, a formação continuada em educação inclusiva precisa ser entendida como política pública permanente, e não como ação pontual ou corretiva. Formar não é apontar erros, mas ampliar repertórios, desenvolver consciência crítica e oferecer ferramentas pedagógicas e jurídicas para a prática cotidiana.
Uma formação comprometida com a inclusão deve abordar, de forma clara e acessível:
- o modelo social da deficiência;
- os marcos legais da educação inclusiva;
- as adaptações razoáveis;
- o enfrentamento do capacitismo institucional;
- a relação entre direitos humanos e prática pedagógica.
Quando o professor compreende que a inclusão é um direito e não um favor, su prática se transforma. Não por imposição, mas por consciência. A mudança duradoura não nasce da punição, mas do conhecimento e do apoio institucional.
Valorizar o professor é investir na sua formação. Combater o capacitismo na escola não é criminalizar o docente, mas garantir que ele tenha condições de ensinar em uma escola que respeite a diversidade humana.
Educação inclusiva se constrói com formação, estrutura e compromisso coletivo , nunca com culpa individual.

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